terça-feira, 9 de junho de 2009

Está p/ nascer + um elefante branco na cidade !!














Está prestes a nascer mais um elefante branco e mentiroso na minha querida cidade (Aracaju-SE). Na verdade, depois que tive o desprazer de avistar esta obra de tão mau gosto surgiu a idéia de criar este blog, p/ que eu pudesse compartilhar as minhas angústias arquitetônicas, como também degustar dos prazeres da boa arquitetura.....massss, claro q nesse caso, vamos p/ a angústia !!!

Segue abaixo um texto muito interessante de Edson Mahfuz (Arquiteto Professor da UFRGS) que fala justamente destas obras que possuem linguagens equivocadas, com um mal gosto exagerado, e que acabam criando cicatrizes terríveis nas nossas cidades.

"É normal que nas relações inter-pessoais se condene a mentira. Há uma espécie de acordo tácito nesse sentido: precisamos acreditar que as pessoas com quem nos relacionamos dizem a verdade.... A mentira é uma ameaça à sociedade.


Não é à toa que nos chocamos com muito do que acontece em Brasília, pois a corrupção tem como seu aliado principal a mentira. Como conseqüência da identificação de alguém como mentiroso contumaz, passamos a não confiar mais nessa pessoa e a discriminá-la.


Pois bem, apesar de que a maioria de nós repudia a mentira nas relações sociais e profissionais, o mesmo não se dá na sua relação com a arquitetura.A mesma pessoa que fica indignada ao constatar que ministros, senadores, maridos e o dono do armazém da esquina mentem, não vê o menor problema em edifícios que são a materialização da mentira em concreto, tijolo, cimento, etc.


A maioria das pessoas não apenas não se dá conta de que certos edifícios corporificam a mentira como a aceitam, a pedem e pagam por ela!Vejamos as imagens que ilustram o texto de hoje. Na foto da esquerda, as paredes parecem ser de madeira mas não o são. A simulação é feita em cimento, processo demorado e mais caro do que o reboco normal. Se olharem bem, vão ver que o “efeito tábua” só foi aplicado nas paredes frontais, as laterais são lisas.


Numa casa real de madeira as tábuas dariam a volta e apareceriam em todas as fachadas.Se o desejo é ter uma casa de madeira, porque não construí-la em madeira? Me dirão que é caro, e eu concordo. E pergunto: o que é mais digno, uma casa bem feita de alvenaria rebocada ou uma simulação evidente e mal feita?


Porque algo construído nos últimos anos do século XX tem essa aparência, quando esses elementos já não fazem mais parte da nossa cultura e não nos dizem mais nada? Como nenhum deles tem nada a ver com a construção material desse objeto, é só uma questão de tempo para que comecem a deteriorar e cair.É uma lástima que se gaste tanto dinheiro em construções assim. As pessoas deveriam se dar conta de que um edifício é parte da cidade, e por muito tempo. O capricho de hoje pode ser o embaraço de amanhã e o ridículo de depois de amanhã."


Fonte: Falando de Arquitetura (
http://usuarq.blogspot.com/)

quinta-feira, 14 de maio de 2009

Entrevista na Revista Projeto - Aníbal Coutinho

Quem ainda não leu essa entrevista, vale a pena ler !
Uma descrição real e coerente sobre o atual mercado de arquitetura...


Segue alguns trechos abaixo, e o link com a entrevista completa no final, feita em Agosto de 2006 por Fernando Serapião:

R.P.- Fale um pouco sobre a pesquisa que o senhor desenvolveu acerca dos honorários dos arquitetos.
A.C.- É uma pesquisa não acadêmica, de fins profissionais. Sempre me incomodou o desaparecimento da arquitetura no Rio de Janeiro, especialmente nos segmentos ligados ao mercado imobiliário. Como não atuo neles, tenho interesse de entender sua dinâmica, saber por que os escritórios ficam ou não sem projetos e como se dá a captação de trabalho.

R.P.- Esse é um fato isolado, próprio do Rio de Janeiro?
A.C.- A dificuldade da prática profissional é mundial, mas existem fatores próprios do Rio de Janeiro. Tratava-se da capital, os órgãos públicos estavam todos aqui, mas os arquitetos cariocas eram contratados para desenvolver projetos em outros lugares. Tanto que boa parte da produção deles - inclusive da minha - não está dentro da cidade. Ao contrário de São Paulo, por exemplo.

R.P.- Falhamos por não ter valor agregado ou por não mostrá-lo?
A.C.- Um pouco de cada. Há uma série de coisas que tomam um tempo enorme e não estão no contrato - escolher o terreno, por exemplo -, e o arquiteto acaba fazendo de graça. Ele não tem que agregar mais serviço, tem que passar a cobrar pelo que faz.

R.P.- O projeto é mal remunerado?
A.C.- O projeto não é mal remunerado; na verdade, o arquiteto só cobra a metade daquilo que faz. E quanto mais a tecnologia se desenvolve, quanto mais conhecimento e trabalho são necessários para montar uma proposta, mais ele trabalha de graça.


R.P.- Como deve ser a cobrança? Por porcentagem, por tabela ou por hora?
A.C.- O certo seria definir um fixo e acrescentar o valor horário para atividades extras. Na discussão do pagamento com o cliente, é preciso mostrar a tabela, que tem uma carga horária para cada tipo de trabalho. Enfim, uma matriz com valores que servem de referência para quem cobra por hora ou por porcentagem. Do jeito que está, o arquiteto faz a análise, o programa, as contas de custos, desenha, executa serviços de acompanhamento de obra e alguma coisa de design e interiores, sem receber por isso. Teoricamente, está perdendo 50% dos honorários.

Link: http://www.arcoweb.com.br/entrevista/anibal-coutinho-o-arquiteto-21-09-2006.html#Scene_1

terça-feira, 12 de maio de 2009

Será que um dia teremos isso em nossas cidades ??

Gostaria de abrir meu blog com este belo vídeo que mostra o poder transformador do uso consciente e planejado da bicicleta como meio de transporte público.

É um pouco longo, mais vale a pena ver todo!! Isso sim é qualidade de vida !!

1ª Parte: http://www.youtube.com/watch?v=y4k1hfmcNBg

2ª Parte: http://www.youtube.com/watch?v=WFmR9q1RsUU