Quem ainda não leu essa entrevista, vale a pena ler !
Uma descrição real e coerente sobre o atual mercado de arquitetura...
Segue alguns trechos abaixo, e o link com a entrevista completa no final, feita em Agosto de 2006 por Fernando Serapião:
R.P.- Fale um pouco sobre a pesquisa que o senhor desenvolveu acerca dos honorários dos arquitetos.
A.C.- É uma pesquisa não acadêmica, de fins profissionais. Sempre me incomodou o desaparecimento da arquitetura no Rio de Janeiro, especialmente nos segmentos ligados ao mercado imobiliário. Como não atuo neles, tenho interesse de entender sua dinâmica, saber por que os escritórios ficam ou não sem projetos e como se dá a captação de trabalho.
R.P.- Esse é um fato isolado, próprio do Rio de Janeiro?
A.C.- A dificuldade da prática profissional é mundial, mas existem fatores próprios do Rio de Janeiro. Tratava-se da capital, os órgãos públicos estavam todos aqui, mas os arquitetos cariocas eram contratados para desenvolver projetos em outros lugares. Tanto que boa parte da produção deles - inclusive da minha - não está dentro da cidade. Ao contrário de São Paulo, por exemplo.
R.P.- Falhamos por não ter valor agregado ou por não mostrá-lo?
A.C.- Um pouco de cada. Há uma série de coisas que tomam um tempo enorme e não estão no contrato - escolher o terreno, por exemplo -, e o arquiteto acaba fazendo de graça. Ele não tem que agregar mais serviço, tem que passar a cobrar pelo que faz.
R.P.- O projeto é mal remunerado?
A.C.- O projeto não é mal remunerado; na verdade, o arquiteto só cobra a metade daquilo que faz. E quanto mais a tecnologia se desenvolve, quanto mais conhecimento e trabalho são necessários para montar uma proposta, mais ele trabalha de graça.
R.P.- Como deve ser a cobrança? Por porcentagem, por tabela ou por hora?
A.C.- O certo seria definir um fixo e acrescentar o valor horário para atividades extras. Na discussão do pagamento com o cliente, é preciso mostrar a tabela, que tem uma carga horária para cada tipo de trabalho. Enfim, uma matriz com valores que servem de referência para quem cobra por hora ou por porcentagem. Do jeito que está, o arquiteto faz a análise, o programa, as contas de custos, desenha, executa serviços de acompanhamento de obra e alguma coisa de design e interiores, sem receber por isso. Teoricamente, está perdendo 50% dos honorários.
Link: http://www.arcoweb.com.br/entrevista/anibal-coutinho-o-arquiteto-21-09-2006.html#Scene_1
A NOVA GERAÇÃO E A REINVENÇÃO DO MERCADO
Há 10 anos
Interessantíssima a entrevista. Há muito já defendia a extinção desses percentuais que os arquitetos recebem por especificar isso ou aquilo. É como tratar a profissão como um mero comércio ao invés de uma atividade intelectual que deve ser remunerada por ter essa natureza. O arquiteto tem de cobrar bem pelo serviço intelectual de planejar. Essa é a essência da sua atividade. Tudo o mais é papel!
ResponderExcluirSérgio Ramalho
Arquiteto